Cynthia Galindo é cantora e compositora de Garanhuns, com mais de 20 anos de carreira, voz potente e carisma marcante, levando alegria, emoção e identidade cultural a públicos de todas as idades. Há vozes que cantam. E há vozes que conduzem. Cynthia Galindo pertence à rara linhagem das artistas cuja voz não apenas interpreta melodias, mas cria atmosferas, desloca afetos e eleva o público a um estado de experiência sensorial plena. Menina-passarinha de Garanhuns, descobriu cedo que o ar podia ser morada. Foi no coral da igreja, entre os oito e doze anos, que aprendeu a transformar respiração em voo — uma escola clássica por onde passaram algumas das maiores vozes do mundo, do gospel norte-americano às grandes intérpretes da música popular internacional. Ali, Cynthia construiu a base técnica que sustenta, até hoje, sua impressionante extensão vocal, controle de dinâmica e domínio emocional. Aos quinze anos, sua estreia profissional já anunciava o que o tempo confirmaria: uma voz podero...
Maria é uma digna representante do estilo figurativo que notabilizou o Artista Fabio Ramos e trouxe o reconhecimento para a sua Arte. “As Beatas”, esculpidas com um esmero divergente da proposta de intervenção mínima, tornaram-se quase um sobrenome do Artista. No entanto, Maria representa mais: representa a religiosidade do sertanejo, a força, a resiliência, a fé e a esperança “de uma gente que ri quando deve chorar”. Maria é um retrato, acima de tudo de uma mulher. Por abstração, no momento de sua contemplação e batismo, um retrato da mulher negra brasileira.
Já definiram que “Arte é quando você coloca um pedaço da sua alma no mundo e alguém se reconhece nela”. Maria é um desses casos. Na madeira refinadamente polida, o “pedaço de alma” se revela através de uma fresta: uma marca no rosto que a distingue de todas e a torna representante de todas e, porque não dizer, de todos: Maria me representa. Representa a “gente que ri quando deve chorar”.
É, exatamente, esta marca no rosto, “no corpo”, que a faz, na minha memória, representante dos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento:
“Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria.”
E, modéstia às favas, também me faz lembrar dos meus próprios versos, proferidos pelo arquétipo Tonny Aguiar:
“Maria
De todas as cores,
De todos os signos,
De tantos fervores
E anúncios benignos.
Fruto de tantos desejos,
Despertados em lampejos,
Na plena escuridão.
Maria
De tantos nomes e ofícios,
De tantos sacrifícios,
De José e de João:
Pena que me chamo
Antonio (sem acento)”.
Maria: escultura (70x22x20), em madeira de Umburana, do Artista Fábio Ramos, do Vale do Catimbau.
Vital Sousa
Tonny Galeria



Certificado de Autenticidade: TG202512040006PU da Tonny Galeria.
