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Novidade

Vitalogia - Não sou um.

Vitalogia não é um livro que se lê para entender. É um livro que se atravessa. Apresentação Por Tonny Aguiar Não sou um. Reconheço a indefinição do que sou. Aqui, a escrita não busca a unidade — celebra a fratura. A voz que fala não se pretende inteira, porque sabe: o humano é múltiplo, contraditório, transitório. Vitalogia nasce do reconhecimento de que um só nome não basta quando a vida insiste em se desdobrar em muitos. Entre poemas, crônicas e fragmentos de pensamento, esta obra constrói uma cartografia íntima onde razão, emoção, sonho e canto coexistem em tensão permanente. Cada texto é um gesto de consciência: não para fixar identidades, mas para permitir que elas se movam. Não para explicar o viver, mas para habitá-lo em sua forma mais honesta — impermanente, sensível, indomesticável. Assinada por uma Quadra de vozes, Vitalogia assume a multiplicidade como ética e estética. Vital Sousa pensa. Tonny Aguiar sente. Vitor Sales sonha. Biu Di Braga canta. Não como heterônimos ...

As Faces de Eva - Um Ato Público, Púbico e Não Pudico


Na psicologia do desenvolvimento, a região púbica e o surgimento dos pelos pubianos marcam a travessia da infância para a puberdade. É o sinal visível de que algo amadurece, de que o corpo anuncia uma passagem irreversível rumo à maturidade sexual e simbólica. Não se trata apenas de biologia, mas de consciência: o corpo diz aquilo que a mente ainda precisa aprender a sustentar.

Na psicanálise, o púbico - esse território tantas vezes silenciado ou coberto de pudor - não possui um significado fixo ou universal. Ele emerge como imagem, sonho, associação livre. Pode representar a origem da vida, a potência criadora, a vulnerabilidade extrema ou o desejo. Seu sentido é sempre singular, inconsciente, atravessado pela história de cada sujeito. O que se cala no discurso retorna no símbolo.

É a partir dessa chave que nasce As Faces de Eva.

Este evento se afirma como "Um Ato Público, Púbico e Não Pudico" porque recusa a infantilização do debate sobre gênero, corpo, poder e responsabilidade. Assim como o amadurecimento sexual exige reconhecer o próprio corpo, o amadurecimento ético dos homens - dos chamados “machos” - exige reconhecer sua participação histórica nas estruturas de dominação, violência e silenciamento das mulheres.

Não há maturidade sem atravessamento.
Não há humanidade plena sem reconciliação.

A proposta de As Faces de Eva convoca os homens a uma analogia incômoda, porém necessária: se o corpo amadurece, por que o pensamento masculino insiste em permanecer imaturo? Se a puberdade marca a passagem para a potência reprodutiva, que maturidade marca a passagem para a responsabilidade afetiva, ética e social?

Este não é um evento contra os homens.
É um evento contra a estagnação.

Ao reunir literatura, escultura, tecnologia, testemunho e diálogo, As Faces de Eva cria um espaço onde o feminino deixa de ser objeto e passa a ser centro, linguagem e denúncia. Onde o corpo da mulher - real, simbólico e artístico - não é ocultado por pudor moralista nem exposto como mercadoria, mas reconhecido como território de memória, dor, potência e criação.

Arcoverde, "A Porta do Sertão", torna-se aqui portal simbólico: entre o passado que insiste em ferir e o futuro que exige consciência. Entre a violência naturalizada e a possibilidade concreta de humanização.

Este prólogo não pede licença.
Convida à travessia.

Porque crescer dói.
Mas não crescer custa vidas.

Contextualização

Este evento reforça a importância da reconciliação entre anima e animus - as forças femininas e masculinas presentes em todo ser humano - como caminho para restaurar a humanidade plena. Homens que integram sua sensibilidade, empatia, escuta e responsabilidade afetiva tornam-se capazes de RECONHECER seu papel ético, social e emocional ao lado das mulheres. Essa integração interior é condição para romper a lógica da violência, construir masculinidades mais saudáveis e estabelecer relações baseadas em respeito, parceria e igualdade.

Nesse contexto, o lançamento conjunto de O Quintal das Acácias (Cássia Guerra) e amor.com (Vânia Costa) nasce como um gesto político-poético que une raízes e redes, ancestralidade e tecnologia, sertão e era digital: tudo isso em um momento nacional de mobilização pelos direitos das mulheres e contra a violência de gênero.

Arcoverde, conhecida como "A Porta do Sertão", torna-se o espaço simbólico onde a dor histórica de tantas mulheres se encontra com a potência transformadora da arte, da tecnologia e da consciência coletiva.

O evento entende que combater a violência contra as mulheres exige também recuperar a humanidade plena, incluindo a reconciliação entre anima e animus, para que homens reconheçam seu papel ético, social e afetivo ao lado das mulheres.

Objetivos do Evento

1. Visibilidade e Denúncia
Dar luz aos números alarmantes da violência contra as mulheres – incluindo a violência digital - e evidenciar a urgência de políticas e ações coordenadas.

2. Mobilização
Colaborar com a rede de proteção composta por: Secretaria Municipal e Estadual dos Direitos das Mulheres; Delegacia da Mulher; Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres; Instituições culturais, tecnológicas e sociais. O evento é uma proposta de ser mais um ponto de conexão para um pacto regional permanente.

3. Empoderamento Através da Arte
Reconhecer Arcoverde como polo regional de artistas, artesãs, escultoras, escritoras e criadoras, e utilizar sua força cultural para fortalecer debates, curas e reconstruções.

Nesse aspecto incluímos a Exposição de Esculturas “As Faces de Eva”, da premiada Artista Simone Souza, do Vale do Catimbau, trazendo o corpo, a sensibilidade e a memória artística para o centro da discussão pública.

4. Educação, Prevenção e Conscientização
Criar pontes entre literatura, tecnologia, feminismo, segurança digital e saúde emocional.

5. Humanização: a Dualidade Anima/Animus
Incentivar homens a refletirem sobre: seu papel no combate às violências, sua responsabilidade afetiva, ética e social, sua participação no processo de humanização conjunta. Porque não há sociedade justa sem homens conscientes.

Atividades Propostas

1. Exposição de Esculturas: “As Faces de Eva”
Obras da premiada Artista-Escultora Simone Souza, do Vale do Catimbau, inspiradas na música “Cor de Rosa-Choque” de Rita Lee — evocando as múltiplas faces, dores, potências e renascimentos da mulher. Uma instalação feita para emocionar, convocar e transformar olhares.

2. Apresentação dos Livros “O Quintal das Acácias” e “amor.com”
Cada obra será apresentada como um libelo — um documento de defesa. Vânia Costa apresenta O Quintal das Acácias: defesa da memória, da ancestralidade, da resistência feminina. Cássia Guerra apresenta amor.com: defesa do amor reumanizado e do uso ético da tecnologia contra a violência digital.

Essa abordagem transforma o lançamento em ato político-cultural.

3. Partilha - Roda de Conversa: “Vozes que Sobrevivem, Vozes que resistem”
Participantes: Mulheres sobreviventes de violências, inclusive a autora de O Quintal das Acácias; A mulher real que inspirou a personagem-protagonista; A Autora de amor.com; A Escultora de “As Faces de Eva”; Especialistas em feminismo, políticas públicas, acolhimento e segurança digital; Representantes da Delegacia da Mulher, SMDH e Conselho Municipal.

Um encontro íntimo, profundo e necessário, onde a palavra se torna cura e denúncia.

Convite aos Homens

"Ser 'homem' é bom; ser antimachista é melhor, mas combater o machismo é IMPRESCINDÍVEL!"

Somos formados em uma sociedade machista.
Aprendemos isso desde cedo: muitas vezes sem perceber.

Reconhecer essa realidade não é ataque,
é responsabilidade.

O desafio é simples e inadiável:
reconhecer nosso papel ao lado das mulheres
e conter atitudes, impulsos e comportamentos que sustentam a violência.

As Faces de Eva é um convite à escuta, à revisão e ao compromisso.

Se você entende que respeito não é favor
e igualdade não é ameaça,
este convite é para você.

Convite às Mulheres

“Quando uma mulher se levanta, não é só o corpo que ocupa espaço: 
é a história que exige voz.”

Este convite é um chamado à ação.
Às mulheres que recusam o silêncio.
Às que sabem que violência não é destino, é crime.
Às que entendem que existir com dignidade é um direito: não uma concessão.

As Faces de Eva é território de denúncia, memória e enfrentamento.
Aqui, a arte não enfeita: confronta.
A palavra não consola: mobiliza.
A presença feminina não é símbolo: é força política.

Venha ocupar.
Venha resistir.
Venha transformar.

Participe!

Cássia Silvestre Guerra, Vânia Costa, 
Tonny Aguiar & Vital Sousa


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Cássia Guerra

“Silvestre Guerra” soa como uma doce contradição para uma avalanche de naturalidade que aflora das histórias contadas pela Tia Cássia . Reais ou inventadas, são compartilhadas com flores, borboletas, pássaros e outros seres alados como fadas e querubins. Escutá-las é alçar voo num céu azul-celeste, salpicado de nuvens de algodão-doce e pássaros de alfenim: pura ternura para nossos ouvidos. Contudo, nem tudo são cores e flores: vez por outra pode brotar, para ouvidos amadurecidos pela vida, em forma de crônica ou poesia, algumas lembranças de espinhos podados com força, coragem e determinação, marcas registradas de um Clã de Guerreiras que batizei de Clã das Acácias. Rita de Cássia Silvestre Guerra é o seu nome completo, mas todos a conhecem como Cássia Guerra . Formada em Magistério pelo Colégio Municipal de Garanhuns e Letras pela Universidade de Pernambuco, com especialização em Língua Portuguesa pela UPE e Gestão Escolar pela UFPE. Desde muito pequena, já sabia que seria professora...

Amor.com

Amor.com: entre o clique e o coração Amor.com é um espelho da nossa época: e um grito contra ela. É a poesia tentando respirar entre notificações. É o amor tentando se salvar do Wi-Fi. Vânia Costa nos entrega um livro que não é apenas uma coletânea de poemas, mas uma cartografia emocional da era digital. Aqui, o amor aparece em todos os seus estados de conexão: plugado, offline, hackeado, reiniciado, deletado e renascido. Cada verso é uma tentativa de lembrar que, por trás de cada tela, ainda existe um coração. Inspirada por um mundo que confunde “curtidas” com afetos e “seguidores” com abraços, Costa escreve com uma mistura rara de doçura e lucidez. Sua linguagem é acessível, mas repleta de imagens que rasgam o cotidiano com beleza e dor. Entre uma metáfora e outra, a autora nos devolve o espanto da presença: o amor não como ideia, mas como vivência concreta, feita de corpo, toque, tempo e verdade. Lendo Amor.com , é impossível não reconhecer a própria vida: as conversas interrompid...

O Quintal das Acácias

Apresentação do Livro Desde as primeiras linhas, sinto-me invadido por ecos de escritoras que, antes de Cassia Guerra mergulharam nas entranhas do feminino para fazer emergir verdades incômodas e necessárias. Penso em Gertrudes, ou Tuda, de A Bela e a Fera de Clarice Lispector, quando pede um conselho que ninguém lhe pode dar; em Macabéa, em A Hora da Estrela , que existia na invisibilidade até ser revelada pela palavra. Recordo ainda as Insubmissas Lágrimas de Mulheres , de Conceição Evaristo, que transformam dor em escrita e silêncio em grito, e não posso deixar de ouvir o chamado de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo , ao lembrar que não se nasce mulher: torna-se. Não falo, portanto, de "empoderamento". Prefiro a palavra “reconhecimento”. Porque não se empodera o que já é poder. Dizer “empoderar” soa a concessão, como se fosse a sociedade patriarcal quem autorizasse as mulheres a existir. O Quintal das Acácias desmonta esse eufemismo e afirma: as mulheres sempre fora...

Arista - Até O Fim Do Mundo: Críticas / Comentários

"Arista - Até O Fim Do Mundo" , de  Vital Sousa , é uma obra que se desdobra em camadas múltiplas, tanto narrativas quanto psicológicas, conduzindo o leitor por uma jornada que transcende a simples leitura; é uma exploração da psique humana em suas mais profundas e enigmáticas facetas. A partir da perspectiva de Carlos Eduardo Romero (Cadu), o autor nos imerge em uma narrativa que é simultaneamente um diário de viagem e um tratado sobre a fragilidade da memória, a busca pela identidade e o significado da existência. O livro se situa nas vésperas do “bug do milênio”, um período marcado por incertezas e temores sobre o futuro, refletindo, de maneira simbólica, as inquietações que habitam o âmago de Cadu. As lembranças que emergem em sua mente, indistintas entre realidade, sonhos ou delírios, são representativas da amnésia global transitória, uma condição que metaforiza a perda de identidade e a desconexão com a realidade que muitas vezes aflige o ser humano em momentos de crise...