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Novidade

Cynthia Galindo

Cynthia Galindo é cantora e compositora de Garanhuns, com mais de 20 anos de carreira, voz potente e carisma marcante, levando alegria, emoção e identidade cultural a públicos de todas as idades. Há vozes que cantam. E há vozes que conduzem. Cynthia Galindo pertence à rara linhagem das artistas cuja voz não apenas interpreta melodias, mas cria atmosferas, desloca afetos e eleva o público a um estado de experiência sensorial plena. Menina-passarinha de Garanhuns, descobriu cedo que o ar podia ser morada. Foi no coral da igreja, entre os oito e doze anos, que aprendeu a transformar respiração em voo — uma escola clássica por onde passaram algumas das maiores vozes do mundo, do gospel norte-americano às grandes intérpretes da música popular internacional. Ali, Cynthia construiu a base técnica que sustenta, até hoje, sua impressionante extensão vocal, controle de dinâmica e domínio emocional. Aos quinze anos, sua estreia profissional já anunciava o que o tempo confirmaria: uma voz podero...

Ventos do Catimbau - Vanda Kapinawá


A homenagem a Vanda Kapinawá, presente no Livro Ventos do Catimbau: o Ser'tão Forte, de Tonny Aguiar e Biu Di Braga — que será base para Oficinas e Palestras do Projeto homônimo de formação de novas vozes sertanejas — é um ato de reconhecimento. Não apenas a uma mulher, mas a uma linhagem de luta.

Os Homenageados no Livro e no Projeto são seis mulheres e um homem que, acima do gênero são pessoas, e com suas condutas e trajetórias merecem o "Reconhecimento". Não, apenas, pela luta de uma vida, mas pela luta de um Povo: é "Reconhecimento" pela luta de Todos; pelos Direitos de Todos ao Respeito e à Existência Pacífica, porque somos todos iguais, mesmo "diferentes"; porque temos uma ancestralidade única como "Seres Humanos"!

O "Reconhecimento" é para "quem levanta a voz" em nome de Todos!

Acredite no que você acreditar, eu acredito na Energia, na Força da Natureza, da qual faço parte, mesmo sem, ainda, entender, completamente, o meu papel no contexto do “Útero Cósmico” do Planeta e com a consciência de que a Terra não é o lugar onde vivo, mas um organismo do qual faço parte, mas isso é outra história que pretendo contar enquanto estiver aqui.

Quando bate a força bruta,
Apanha quem fica calado;
Mas há quem levanta a voz
E faz do direito seu brado;
Não desmerece o algoz,
Enquanto afia o seu forcado.

Na soma de todos os lados
Temos um quadrado perfeito,
Mas quem nega os tratados,
Só pratica o desrespeito:
Amanhã será espancado
Pelo equilíbrio desfeito;

Quando bate a força bruta,
Apanha quem fica calado;
Quem luta por seus direitos
Eu reconheço e respeito.

Vanda Kapinawá — Guardiã da Terra, Voz do Povo - filha da Aldeia Ponta da Várzea, no território Kapinawá, no Vale do Catimbau. Vanda Moura Gonçalves é herdeira direta das lutas por território e cultura travadas por seus parentes próximos, que enfrentaram a força bruta do esquecimento para garantir o direito de existir como povo originário. A voz de Vanda não se calou. 

Ela ecoou pelos sertões, e para além de suas fronteiras, como eco ancestral, afirmando saberes, práticas e valores que o tempo tentou apagar. Doutora raiz, fitoterapeuta, iridologista, apicultora, educadora e mãe, ela não apenas preserva a cultura Kapinawá — ela a cultiva, alimenta e distribui como quem reparte pão sagrado com a comunidade.

Sua empresa Regando Alimentação Viva é um projeto de vida, mas também de resistência. Com sucos verdes, folhas medicinais, sementes e sabedoria, ela oferece não apenas nutrição, mas reconexão. Cada oficina, uma aula de pertencimento. Cada palestra, uma reafirmação de identidade.

A história do povo Kapinawá foi marcada pela negação de tratados e pela tentativa de apagamento cultural. Mas a luta dos ancestrais de Vanda — e agora dela mesma — recompõe esse “quadrado perfeito” da justiça e da dignidade.
Ela é mestra dos saberes da terra e do corpo, defensora incansável da alimentação segura, saudável e consciente. Mas mais que isso: é uma semente viva do Sertão que não se deixou arrancar.

Por isso, o Projeto Ventos do Catimbau reconhece em Vanda Kapinawá um farol. Porque sua luta vai além do individual: é pelo seu povo, pela memória, pelo direito à existência em paz, com suas raízes fincadas fundo no chão da Caatinga e os braços abertos para ensinar o mundo.

“Sou guerreira e não desisto nunca”, diz ela.

E no que depender da sua voz, das suas ervas e da sua luz — a cultura Kapinawá seguirá viva, vibrante e inteira.


Tonny Aguiar
CoAutor


Imagens: Acervo particular dos Homenageados

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O Quintal das Acácias

Apresentação do Livro Desde as primeiras linhas, sinto-me invadido por ecos de escritoras que, antes de Cassia Guerra mergulharam nas entranhas do feminino para fazer emergir verdades incômodas e necessárias. Penso em Gertrudes, ou Tuda, de A Bela e a Fera de Clarice Lispector, quando pede um conselho que ninguém lhe pode dar; em Macabéa, em A Hora da Estrela , que existia na invisibilidade até ser revelada pela palavra. Recordo ainda as Insubmissas Lágrimas de Mulheres , de Conceição Evaristo, que transformam dor em escrita e silêncio em grito, e não posso deixar de ouvir o chamado de Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo , ao lembrar que não se nasce mulher: torna-se. Não falo, portanto, de "empoderamento". Prefiro a palavra “reconhecimento”. Porque não se empodera o que já é poder. Dizer “empoderar” soa a concessão, como se fosse a sociedade patriarcal quem autorizasse as mulheres a existir. O Quintal das Acácias desmonta esse eufemismo e afirma: as mulheres sempre fora...

Arista - O Silêncio do Beija-flor: Prefácio

Há momentos na vida de um psicólogo – e, ouso dizer, na vida de qualquer indivíduo que se debruça sobre os mistérios da existência – em que nos deparamos com narrativas que transcendem o mero entretenimento. São obras que nos convidam a uma espécie de diálogo silencioso, uma imersão profunda nas complexidades da mente e do espírito. “Arista, até o fim do mundo”, o primeiro volume desta trilogia de Vital Sousa, foi, para mim, um desses encontros marcantes. Uma leitura que, confesso, reverberou em minhas reflexões profissionais e pessoais, que tive o privilégio de destrinchar em uma crítica literária que, pelo visto, encontrou ressonância no próprio autor, culminando neste honroso convite para prefaciar o segundo ato: “Arista – O Silêncio do Beija-flor”. Desde o primeiro volume, fui instigada pela maneira como Vital Sousa articula a fragilidade e a potência da memória, a escorregadia natureza da identidade e as sombras da manipulação psíquica. Cadu, o viajante amnésico em busca de si mes...

Ventos do Catimbau - O Ser'tão Forte

Projeto: “Ventos do Catimbau – O Ser’tão Forte: Resistência, Resiliência, Resgate e Reconhecimento  no Semiárido Pernambucano” Objetivo: Identificar, Qualificar e Publicar Novos Escritores, além de Fomentar o Reconhecimento e a Valorização das pessoas que atuam em prol do Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, destacando a importância da Educação e da Cultura em todas as suas linguagens. "Não somos 'bonzinhos' nem fazemos 'caridade': praticamos Economia Solidária e Marketing Social." - Vital Sousa - Tonny Aguiar - Biu Di Braga O  Projeto "Ventos do Catimbau - O Ser'tão Forte"  é uma Iniciativa Independente e, eventualmente, será financiado por Politicas de Fomento à Cultura como o PNAB e a Lei Rouanet.  Este é um   Projeto de cunho "Social e Sem Fins Lucrativos". O Proponente e Realizador cede os Direitos Autorais da obra Ventos do Catimbau – O Ser’tão Forte, assim como os seus Honorários para a realização das Palestras-Oficinas   c...

Fabio Ramos

  Natural de Buíque, PE, porta de Entrada do Vale do Catimbau , Fábio Ramos , desde a infância demonstra que a Arte está no seu sangue. A partir de 2007, iniciado pelo Grão Mestre José Bezerra, do qual aceitou o desafio de criar seu primeiro trabalho com madeira, a representação de uma Beata, transformou a Escultura em Profissão e espalhou suas obras pelo mundo.  Hoje, estima que sua arte esteja presente em 34 países. Notoriamente reconhecido como Mestre Artesão, já contabiliza várias participações, com menções honrosas, no Salão de Artes Popular Ana Holanda (FENEART) e Salão de Arte Religiosa de Pernambuco . Fábio Ramos já notabilizou-se pelos trabalhos com a madeira refinadamente polida, mas atualmente, deixou as raízes sertanejas falar mais alto e destaca-se pelo estilo de mínima interferência em suas esculturas, dando assas à sua imaginação e aos contornos naturais da madeira, numa dança de movimentos bruscos e passos delicados que revelam a essência da matéria-prima e a c...